<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-542463551289534896</id><updated>2012-02-11T13:04:59.380-02:00</updated><title type='text'>Nós, vermelhos</title><subtitle type='html'></subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://nosvermelhos.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/542463551289534896/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nosvermelhos.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Alexandre Sacha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08945371655896868128</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>13</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-542463551289534896.post-6587282053935216183</id><published>2010-11-01T17:00:00.003-02:00</published><updated>2010-11-18T17:53:41.061-02:00</updated><title type='text'>O capitão do mato</title><content type='html'>Vocês sabem o que significa capitão do mato? &lt;br /&gt;Devem saber, mas por via das dúvidas explico - era uma expressão usada para referir-se aos jagunços que se dedicavam a recapturar escravos fugidos. Isso lá no século XIX. No Brasil colônia ou império.&lt;br /&gt;A primeira vez que pensei sobre essa, digamos, atividade, foi por causa de uma novela da Globo. Não me lembro o nome, só me lembro que o capitão do mato era o Toni Tornado. Aquilo me incomodava muito: o cara era negro e fazia aquelas barbaridades com os outros negros. Ele era especialmente cruel. Tratava os escravos que ele recapturava como lixo, na base da porrada, da mesma forma que os senhores deles. Depois os levava de volta às fazendas de onde tinham fugido e cobrava pelo serviço.&lt;br /&gt;Essa história me incomodou tanto que fui procurar mais informações sobre os capitães do mato e descobri que não raramente eram negros. O próprio Rugendas (Johann Moritz), o maior pintor/desenhista dos tempos do império no Brasil, retratava capitães do mato negros.&lt;br /&gt;Descobri também que eles eram odiados e temidos pelos escravos, por razões óbvias e desprezados pelos senhores de engenho e fazendeiros em geral, além de toda a sociedade elegante da época, por sua origem e pela indignidade do seu ofício.&lt;br /&gt;Agora veja só – o sujeito nasceu negro, na África ou aqui mesmo, foi escravo e, por alguma razão, deixou de ser (alforria, por exemplo). Ou então nem era escravo, não era negro, mas vinha das camadas mais baixas da sociedade.&lt;br /&gt;E então ele deixava de se sentir pertencendo àquela casta, ou talvez nunca tenha pertencido, e se afastar dela era indispensável. Ele a detestava. &lt;br /&gt;Mas jamais conseguia entrar nas camadas superiores. Não seria fazendeiro e dono de seus próprios negros. Não alcançaria ascensão social expressiva.&lt;br /&gt;Por causa dessa situação ele tinha mil medos: &lt;br /&gt;medo de que a escravidão acabasse e com ela a sua fonte de renda; &lt;br /&gt;medo de que os escravos, em qualquer momento, se rebelassem e sua integridade física e seu patrimônio ficassem ameaçados; &lt;br /&gt;medo de que muitos se convertessem no mesmo que ele e assim seu suposto status se diluísse; &lt;br /&gt;medo de que os senhores parassem de pagar pelos seus serviços;&lt;br /&gt;e um vasto etc. de medos.&lt;br /&gt;Esses medos é que moviam suas relações sociais. Neles estavam baseadas todas as suas decisões pessoais e a sua sobrevivência. Enfim, a sua atuação na sociedade.&lt;br /&gt;A dinâmica desses medos fazia com que ele partisse para o desprezo e a raiva daqueles que estivessem, na sua percepção, socialmente abaixo. Daí a sua maior luta. No lugar da solidariedade para com seus pares, lhes reservava o ódio, no lugar da tolerância a violência, no lugar da fraternidade a maldade.&lt;br /&gt;Uma análise psicológica talvez revelasse uma aversão àquilo que ele mesmo representava, em contraposição àquilo que se quisesse ser.&lt;br /&gt;Assim é como vejo a classe média – ou parte dela – no Brasil atual.&lt;br /&gt;Façam vocês mesmos as comparações.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/542463551289534896-6587282053935216183?l=nosvermelhos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nosvermelhos.blogspot.com/feeds/6587282053935216183/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=542463551289534896&amp;postID=6587282053935216183' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/542463551289534896/posts/default/6587282053935216183'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/542463551289534896/posts/default/6587282053935216183'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nosvermelhos.blogspot.com/2010/11/o-capitao-do-mato.html' title='O capitão do mato'/><author><name>Alexandre Sacha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08945371655896868128</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-542463551289534896.post-2592793141730320918</id><published>2010-09-27T20:17:00.001-03:00</published><updated>2010-09-27T20:25:00.271-03:00</updated><title type='text'>Glossário Eleitoral 2010 - De A a Z</title><content type='html'>Direto das Redações&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para melhor entendimento dos termos usados nas nossas matérias e das ideias associadas a eles faremos circular entre nossas equipes de jornalistas este glossário, elaborado pelo conjunto das redações das Organizações Globo, Folha de São Paulo, Estado de São Paulo, Editora Abril, Rede Bandeirantes e outros menos importantes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Solicitamos que todos – mesmo – os jornalistas dessas casas leiam e decorem o glossário, a fim de que nossa função social sagrada de bem informar o público seja executada de modo padronizado. Consideramos indispensável tal padronização uma vez que nossa força advém da nossa união e da nossa união virá a verdade, que será repetida à exaustão, ainda que pareça mentira. Se a verdade continuar parecendo mentira estamos certos de que a razão para tal terá sido a displicência no domínio do glossário que segue.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bom trabalho e mãos à obra. A oposiç, ou melhor, a opinião precisa de nós.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ameaça à Liberdade de Expressão – é quando alguém que não é detentor do direito descrito no verbete ‘Liberdade de Expressão’ reclama de ter sido ofendido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Blogs Sujos – parte do verbete ‘Internet’ formada por clandestinos subversivos usurpadores de direitos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Corrupção – é quando nossos inimigos parecem estar fazendo algo que talvez não seja permitido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Democracia – é o sistema político em que nossos amigos estão no poder.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deputado Corrupto – deputado da turma do verbete ‘Presidente II’ que por mais que tente não vai ter espaço para provar que não é ele (ou ela) no vídeo que ninguém viu e no áudio que ninguém escutou. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deputado Supostamente Envolvido com Irregularidades – deputado da turma do verbete ‘Presidente I’ que tem o direito de tentar explicar aquele dinheiro todo no vídeo que vazou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Diplomacia – Tirar o sapato pra entrar nos EUA.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ditadura – é o sistema político em que nossos inimigos estão no poder. É o oposto exato do verbete ‘Democracia’.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eleições – são os momentos esporádicos em que nós fingimos abrir mão de parte do nosso poder de decisão sobre todas as coisas e tentamos conduzir o verbete ‘Povo’ ao rumo que é melhor pra ele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eleições Fraudadas – são os meios para atingir o verbete ‘Ditadura’. Ou seja, modo pelo qual nossos inimigos chegam ao poder. Verbete nunca aplicável para os EUA.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fracasso Diplomático – agir como verbete ‘República de Bananas’.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ficha Limpa – é aquela lei que se a gente soubesse que ia dar mais trabalho pra a turma do verbete ‘Presidente I’ do que pra a do verbete ‘Presidente II’ nós não teríamos aprovado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Golpe – esse verbete varia de acordo com as circunstâncias, na nossa história recente o chamamos Revolução.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Homem de Bem – pessoa que tem dinheiro e com ele comprou alguns direitos, geralmente é o oposto do verbete ‘Povo’.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Impostos – coisa indefinida que não pagamos e achamos que não temos mesmo que pagar, embora reclamemos que são abusivos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Internet – veículo abstrato que não conseguimos – ainda – dominar. Às vezes usada clandestinamente por um monte de gente à qual determinados direitos não foram devidamente adjudicados. Mais descrições no verbete ‘Blogs Sujos’.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Jornalista – é o profissional ao qual foi adjudicado por nós o direito de uso do verbete ‘Liberdade de Expressão’. É aquele que temporariamente pode exercer esse direito, ainda que em caráter temporário e revogável.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Liberdade de Expressão – é o nosso direito (outorgado por nós mesmos) de publicar o que bem entendermos sobre quem ou o quê quisermos, quando der na nossa telha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Liberdade de Imprensa – é a formalização empresarial do verbete ‘Liberdade de Expressão’.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mentira – esse verbete foi incluído aqui só a título de lembrança, mas todos que trabalham em nossas empresas já sabem. É aquilo que repetido um milhão de vezes...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meritocracia – é a prova de que quem faz parte do verbete ‘Homem de Bem’ não está lá por acaso, nem por ter tido oportunidades, nem por já ter nascido lá, mas sim por possuir o verbete ‘Qualidade’. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nepotismo – é quando alguém da turma do verbete ‘Presidente II’ tem parentes que não estão desempregados. Se qualquer parente de alguém dessa turma tiver emprego em alguma empresa pública, seja por concurso ou não, se aplica este verbete. Se o parente trabalhar em empresa privada o verbete também se aplica, já que a investigação para se chegar a um relacionamento dessa empresa com o governo é simples e não falha. Para essa investigação pode-se lançar mão do verbete ‘Sigilo da Fonte’. Caso este verbete seja usado contra alguém da turma do verbete ‘Presidente I’, alega-se capacidade técnica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Oposição – verbete que interinamente nossas empresas ocupam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Povo – termo vago muito útil em época de verbete ‘Eleições’, mas desnecessário em outras épocas. ATENÇÃO - Não tem nenhuma relação com o verbete ‘Democracia’.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Presidente – verbete subdividido em duas partes por força de tropeços históricos.&lt;br /&gt;*Presidente I – professor e sociólogo brilhante, inventor de todas as coisas boas que há no Brasil e nos países vizinhos, respeitador dos verbetes ‘Democracia’, ‘Diplomacia’, ‘Liberdade de Expressão’, ‘Liberdade de Imprensa’ e ‘Jornalista’. Por alguma razão que ainda não conseguimos mudar é desprezado pelo verbete ‘Povo’.&lt;br /&gt;*Presidente II – cara barbudo que não sabe nem ler, nem escrever, nem falar, que abusa dos verbetes ‘Ameaça à Liberdade de Expressão’, ‘Ditadura’, ‘República de Bananas’, ‘Equívoco Diplomático’, ‘Internet’ e ‘Blogs Sujos’. Por alguma razão que ainda não conseguimos mudar é amado pelo verbete ‘Povo’. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Qualidade – é o verbete simbólico para a expressão da hegemonia do verbete ‘Homem de Bem’. Ou seja, o verbete ‘Homem de Bem’ se impõe pela capacidade individual, situação oposta à do verbete ‘Povo’ que pretende aparecer baseado no verbete ‘Quantidade’. O verbete ‘Qualidade’ pode estar diretamente associado ao ‘Meritocracia’.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quantidade – termo usado na falta do verbete ‘Qualidade’, associado sempre à imagem do verbete ‘Povo’.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;República de Bananas – país latino-americano que ousa enfrentar os EUA.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sigilo Fiscal ou Bancário – direito assumido pelo verbete ‘Homem de Bem’ e obviamente desnecessário para o verbete ‘Povo’. Até por que este último não tem nem que ter conta em banco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sigilo da Fonte – argumento permitido ao verbete ‘Jornalista’ quando faz denúncia contra o verbete ‘Deputado Corrupto’.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Terrorista – aquele que lutou contra o verbete ‘Golpe’, mais apropriadamente chamado revolução, e que não mudou de lado em trinta anos. Há vários exemplos de oposto do verbete ‘Terrorista’ nos verbetes ‘Jornalista’ e ‘Deputado Supostamente Envolvido com Irregularidades’.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;UDN – por razões estratégicas fica proibido fazer qualquer menção a este verbete em nossas publicações durante este ano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Voto – instrumento inútil que tenta fazer iguais dois verbetes tão diferentes quanto ‘Homem de Bem’ e ‘Povo’. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;X – letra pouco útil já que é o símbolo do verbete ‘Voto’.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Zero – é a quantidade de acertos do verbete ‘Presidente II’ que independem da esplêndida herança recebida deste pelo verbete ‘Presidente I’.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/542463551289534896-2592793141730320918?l=nosvermelhos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nosvermelhos.blogspot.com/feeds/2592793141730320918/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=542463551289534896&amp;postID=2592793141730320918' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/542463551289534896/posts/default/2592793141730320918'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/542463551289534896/posts/default/2592793141730320918'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nosvermelhos.blogspot.com/2010/09/glossario-eleitoral-2010-de-a-z_27.html' title='Glossário Eleitoral 2010 - De A a Z'/><author><name>Alexandre Sacha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08945371655896868128</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-542463551289534896.post-7458232561925152373</id><published>2010-09-21T01:44:00.001-03:00</published><updated>2010-09-21T01:47:04.423-03:00</updated><title type='text'>Desta vez pra quem não concorda comigo</title><content type='html'>Eu tô acostumado a escrever pra quem pensa mais ou menos como eu, na verdade quase sempre escrevo pra mim mesmo, e ninguém concorda mais comigo do que...eu.&lt;br /&gt;Poucas vezes alguém que não tem uma opinião parecida com a minha ou mesmo quem não tem uma opinião muito formada lê o que eu escrevo.&lt;br /&gt;Mas hoje, movido por uma série de e-mails que recebi, resolvi escrever pra conversar, ou pra interagir, com quem é o meu oposto ideológico. Ou seja, vou escrever pra quem, em termos políticos, é adversário em potencial.&lt;br /&gt;O começo do meu raciocínio, aliás, é exatamente a questão do adversário em termos políticos. São meus adversários em termos políticos várias pessoas que admiro, respeito e gosto. Muitos amigos, alguns parentes, conhecidos, etc. que merecem meu apreço e, às vezes, dividem comigo partes da minha vida, além, é claro, de inúmeras mesas de bar.&lt;br /&gt;Por ter relação tão próxima com tantos adversários políticos é que resolvi desta vez escrever pra eles. &lt;br /&gt;A principal razão é a proposta que quero fazer. &lt;br /&gt;Com o calor da disputa eleitoral temos visto ânimos mais à flor da pele do que costuma ocorrer normalmente, no que tange à discussão política. Gente que no dia a dia é afável, de fácil trato, suave, tem ficado mais agressiva, mais dura. E não estou falando só quanto ao relacionamento pessoal, mas principalmente quanto à forma acalorada com que se reverbera (ou se cria) adjetivos e ataques para uso na campanha pela internet.  &lt;br /&gt;A primeira proposta é pra aqueles que dizem se eximir de participação direta em questões políticas: &lt;br /&gt;Vamos todos assumir que estamos em campanha! &lt;br /&gt;Quando vocês mandam um e-mail que pretende convencer alguém a votar de determinada maneira estão fazendo campanha política. &lt;br /&gt;Quando vocês comentam numa fila que fulano de tal é $#@$%#&amp;*¨!, se não estiverem se referindo ao síndico chato do prédio, mas a algum partícipe do jogo político, vocês estão fazendo campanha. &lt;br /&gt;Quando vocês permitem que a moça de amarelo no sinal cole um adesivo com um número de candidato nos seus carros, vocês estão fazendo campanha.&lt;br /&gt;Uma vez que assumimos que estamos em campanha agora façamos outros tratos.&lt;br /&gt;O segundo será: vamos nos respeitar e não desqualificar uns aos outros. &lt;br /&gt;Meus queridos (sem nenhuma ironia) adversários políticos “quase sempre” recebem de mim o respeito a que fazem jus. Digo “quase sempre” tentando achar que o faço sempre, mas considerando que posso falhar, como qualquer um, às vezes. &lt;br /&gt;Pois bem, da mesma forma quero merecer o respeito de meus interlocutores. &lt;br /&gt;Não mandemos coisas que subestimam a inteligência de quem vai ler. &lt;br /&gt;Não espalhemos mentiras escritas pra quem não tem senso crítico acreditar. É muito chato ler algo que está endereçado a um imbecil. Porque dá a sensação de que quem te mandou te acha isso. &lt;br /&gt;Não mandemos textos supostamente escritos por pessoas famosas (Luís Fernando Veríssimo, Affonso Romano de Santana, etc.) que não resistem a uma simples consulta no Google ou, pior ainda, que não resistem ao nosso mero conhecimento sobre o estilo de tais autores. &lt;br /&gt;Não divulguemos textos de próceres da história da humanidade, a maioria deles já mortos, como se eles fossem cabos eleitorais de nossos preferidos. Chega a ser absurdo receber textos ou frases do Gandhi ou do Martin Luther King como se eles fossem filiados ao PSDB e estivessem em plena campanha pela eleição de José Serra. Por favor, vamos poupar grandes personagens históricos de se revirar nos túmulos!&lt;br /&gt;Quando eu recebo um e-mail que diz: nós estamos perdidos com essa bruxa... o que penso é que mandaram pro e-mail errado. Eu já tenho 40 anos. Eu acho que esse e-mail deveria ser enviado à minha filha de 5 anos, que, talvez, por medo de bruxas, votasse no adversário.&lt;br /&gt;Certamente há muitas razões pra não se votar em Dilma Roussef, em Serra ou na Marina, além de todos os outros, meu querido amigo Ivan Pinheiro inclusive. Mas não façamos uma discussão baixa, sem nenhum sentido propositivo e sem esperanças de, na interseção, encontrarmos caminhos comuns que conduzam a vida do nosso país e, por conseguinte, a nossa vida, a bom rumo.&lt;br /&gt;Vamos exaltar as qualidades positivas do debate democrático e respeitoso. Vamos usar nosso poder de convencimento pra mostrar que nosso candidato(a) e nossas idéias são melhores e não menos piores ou menos ladrões.&lt;br /&gt;Eu voto e faço campanha pela Dilma. E não é por causa das coisas que sei sobre o Serra. E olha que sei muitas e muito cabeludas, afinal, já trabalhei como tradutor pra agências de publicidade de Belo Horizonte e de São Paulo que atendiam o governo federal e os governos estaduais do PSDB, e já trabalhei como tradutor até para a polícia federal.&lt;br /&gt;No entanto decido meu voto pelas questões ideológicas e pelas questões práticas que me conduzem a essa opinião. &lt;br /&gt;Não me interessa se a Marina tem patrimônio maior do que o apresentado às instâncias eleitorais, me preocupa muito mais como vai ficar o patrimônio do trabalhador simples no futuro. &lt;br /&gt;Não quero saber se o Serra tem sócios suspeitos de crimes graves, quero saber como vão ficar os sócios da Petrobrás, ou seja, todos nós brasileiros. &lt;br /&gt;Não quero saber se alguém, supostamente do PT, violou o sigilo fiscal de gente do PSDB, quero saber quem vai ser o fiscal das obras que têm que ser feitas no país.&lt;br /&gt;Portanto, vamos tentar convencer uns aos outros de que nossos candidatos são melhores. Mandem-me e eu lerei com prazer, atenção e respeito as propostas de Serra e Marina, e quem sabe mudarei de idéia se identificar saídas melhores para nossos problemas. Digam-me o que eles pensam sobre educação, sobre o fim do vestibular, sobre as cotas, sobre o aborto e sobre a saúde de forma geral, sobre relações internacionais, sobre direitos humanos e a lei da anistia. Ah, e digam também como eles pretendem colocar suas idéias em prática. &lt;br /&gt;As idéias da minha candidata acerca desses assuntos eu já sei. As dos outros, não. Não fizeram uma campanha capaz de me informar minimamente. E quem manda e-mails dizendo absurdos sobre a minha candidata não ajudou em nada. A própria imprensa se ocupou de cuidar da massiva tentativa de desqualificação dela e também não colaborou pra que eu e milhões de outros conhecêssemos melhor as alternativas que existem.&lt;br /&gt;E é preciso que fique claro pra quem está do lado da oposição que o fato do cara ter uma filha que pode ter sido bisbilhotada por um inimigo político não dá a ele cacife pra ser presidente da república. É preciso ter alguns méritos, que certamente ele tem, mas não se preocuparam em me mostrar. Só se preocuparam em me convencer a não votar do jeito que quero.&lt;br /&gt;Com isso dão abertura à discussão que foi gerada na sequência, de que a bisbilhotada é, na verdade, grande bisbilhoteira e aí fica um sem fim de acusações - sem provas, aliás. &lt;br /&gt;Quem tem interesse nisso não são vocês nem sou eu. Quem ganha com isso são aqueles que querem que paremos de discutir política e nos afastemos “dessa sujeirada toda”. Quanto menos a gente aqui discutir política mais alguém lá terá massas de manobra e poder para usá-las. &lt;br /&gt;Faço essas propostas porque acho que o momento presente é importante demais pra que não discutamos política agora.&lt;br /&gt;Porém o mais importante é o que virá no futuro. E com certeza depois de 3 de outubro assim como depois de todas as datas de eleições vindouras precisamos conviver todos no mesmo país, na mesma cidade, nas mesmas empresas, escolas e casas. E precisamos construir juntos o nosso futuro. Sem que queiramos nos evitar nas próximas oportunidades e sem que divergências de opinião nos transformem em inimigos irreconciliáveis.  &lt;br /&gt;Vamos, então, ao embate! Porém, com sabedoria, sensibilidade e respeito.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/542463551289534896-7458232561925152373?l=nosvermelhos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nosvermelhos.blogspot.com/feeds/7458232561925152373/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=542463551289534896&amp;postID=7458232561925152373' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/542463551289534896/posts/default/7458232561925152373'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/542463551289534896/posts/default/7458232561925152373'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nosvermelhos.blogspot.com/2010/09/desta-vez-pra-quem-nao-concorda-comigo_2099.html' title='Desta vez pra quem não concorda comigo'/><author><name>Alexandre Sacha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08945371655896868128</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-542463551289534896.post-653846814893960476</id><published>2010-08-28T20:01:00.006-03:00</published><updated>2010-08-28T20:10:02.530-03:00</updated><title type='text'>O Brasil não merece uma campanha assim</title><content type='html'>Tô escrevendo, meio a contragosto, meio a pedidos, meio achando que não vale a pena.&lt;br /&gt;Vou responder àquele tipo de provocação anticomunista, muito normal em qualquer época, mas que se exacerba perto de eleições. Ou plebiscitos. Quem não se lembra da verdadeira revoada de conteúdo ultra-direitista que assolou a internet à época do plebiscito do desarmamento? Foi um movimento tão forte que conseguiu o que queria...&lt;br /&gt;Hoje, acho que não. Não vão conseguir.&lt;br /&gt;Mas mesmo assim é um movimento forte. E mais à direita do que aquele. Mais conservador. Mais desesperado e por isso mesmo mais feio. Já viu a feição de alguém desesperado? É bem feia.&lt;br /&gt;Uma das peças (ou pérolas?) que circulam por aí tem um conteúdo absolutamente cruel.&lt;br /&gt;Não propõe nada, não discute nada, não apresenta nenhuma reflexão. Só ameaça. Usa, mais uma vez, o medo. Neste caso específico o medo dos comedores de criancinhas. Isso mesmo: o medo da nossa ideologia, o medo da nossa ruindade. Nós, os comunistas, com todo o mal que somos capazes de representar. Com toda a perversidade que gente como nós espalha.&lt;br /&gt;A ameaça é clara: Dilma é comunista! Se ela ganhar escondam suas criancinhas! Vamos evitar esse horror!&lt;br /&gt;Em determinado momento achei até que ia aparecer uma imagem da Dilma arrancando a unha de um pobre militar com um alicate.&lt;br /&gt;A base do raciocínio era a seguinte: Hugo Chávez apoia a Dilma. Logo, a Dilma é um perigo. O Chávez vota na Dilma (ele, na verdade, vota no Brasil com título de eleitor falsificado no Paraguai, outro paísinho horroroso, vizinho do outro paíseco que tem um índio plantador de cocaína, etc., etc., etc.) e por isso ela representa o maior perigo da face da terra.&lt;br /&gt;No vídeo que está circulando pela internet e que pode ser facilmente encontrado no youtube, tudo começa com uma multidão de vermelho assistindo a falação de alguém. Ouve-se a voz do Chávez e a imagem corta para o próprio. Aí aparece o primeiro problema: é claro, muito claro, que ele não está no mesmo lugar que todas aquelas pessoas. Não sei pra quê essa enganação. Continua com o discurso do malvado presidente da Venezuela e a imagem cortando para aquela platéia (que não está no mesmo lugar) e voltando para o Chávez, alternadamente. O que ele diz está, outra vez muito claramente, editado. Aí aparece o segundo grande problema: a edição faz crer que ele se refere à Dilma quando fala do sequestro do Charles Elbrick, aquele embaixador dos EUA que foi sequestrado em 1969.&lt;br /&gt;Essa é a parte que ofende. Não por mostrar uma opção ideológica 180 graus diferente da minha. Mas por considerar que somos todos idiotas.&lt;br /&gt;Quem produziu a peça e, obviamente, quem a difunde, não só finge não saber que a Dilma nunca fez parte do grupo que sequestrou Elbrick, como toma por certo que os demais – eu , você, todos nós – também não sabemos nada de história em geral e dessa história em particular.&lt;br /&gt;Segundo eles nós não temos conhecimento suficiente para saber que a Dilma fez parte de uma organização (durante a ditadura havia centenas delas) de esquerda, armada, chamada Var Palmares e não do MR8, que foi a organização que sequestrou o cara.&lt;br /&gt;Na visão deles nós não temos como saber que havia gente que hoje está no governo (Franklin Martins) e gente que hoje está na oposição (Fernando Gabeira) na organização daquela ação.&lt;br /&gt;Em outras ocasiões tentam dizer que a Dilma não pode entrar nos EUA e, portanto, não pode ser presidente do Brasil – atenção: do BRASIL – por ter participação naquilo.&lt;br /&gt;O que de fato é verdade em relação aos realmente envolvidos, mas a Dilma... ai, ai, ai, a Dilma tava em Nova York no dia 22 de maio deste ano. Aliás, como a própria Folha (órgão de imprensa ou de humor, mas que a direita lê e sustenta) pode comprovar: &lt;a href="http://www1.folha.uol.com.br/folha/brasil/ult96u738971.shtml"&gt;http://www1.folha.uol.com.br/folha/brasil/ult96u738971.shtml&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Para o pessoal que acredita em campanha eleitoral nesse nível somos uns imbecis que precisam ser salvos da ameaça comunista. Precisamos ser salvos da Dima, precisamos ser salvos dos sequestradores, precisamos ser salvos do Chávez, precisamos ser salvos do nosso próprio voto.&lt;br /&gt;Há várias outras barbaridades no filminho baixo nível.&lt;br /&gt;Tentam misturar a Dilma com o PC do B. Como se fosse ilegítimo ter ligações com esse partido. Como se apesar da democracia essas idéias e seus seguidores tivessem que ser banidos.&lt;br /&gt;Outra vez consideram que não sabemos das coisas.&lt;br /&gt;Não sabemos que ela nunca pertenceu ao PC do B. Que antes de ser do PT ela foi do PDT. E antes disso ela não podia ser de nenhum desses partidos porque era proibido. E antes porque ela tava presa. Tava no pau de arara. Tava lá lutando pra que 35 anos depois as pessoas pudessem votar nela ou em quem quisessem. Tava lá apanhando pra que as pessoas pudessem se expressar com liberdade. Pra que pudessem, inclusive, colocar na internet um filminho ridículo como aquele.&lt;br /&gt;Mas a maior barbaridade – mesmo – do filminho é a música tema: Cálice.&lt;br /&gt;Isso mesmo: Cálice. Do Chico Buarque e do Gilberto Gil!&lt;br /&gt;A mesma música que foi proibida na época em que a Dilma tava no pau de arara.&lt;br /&gt;Música do Chico Buarque, que já declarou voto na Dilma, como a Folha, de novo, já publicou:&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www1.folha.uol.com.br/folha/brasil/ult96u728086.shtml"&gt;http://www1.folha.uol.com.br/folha/brasil/ult96u728086.shtml&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Música do Gilberto Gil, que foi colega da Dilma no ministério do Lula. Gil, que pediu licença pra votar na Marina, por questão de fidelidade partidária.&lt;br /&gt;Usar essa música é o cúmulo da cara de pau! Será que não há neste país nenhum músico de direita que possa emprestar pra eles uma música? Pede pro KLB, eles certamente emprestarão alguma das suas composições, afinal de contas eles são do PFL. Tá aí, no youtube:&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=3m2314RwB6s&amp;amp;feature=related"&gt;http://www.youtube.com/watch?v=3m2314RwB6s&amp;amp;feature=related&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;A única coisa com a qual eu concordo é com o título do e-mail que vem com o filminho.&lt;br /&gt;Diz: O CÁLICE É DE ARREPIAR.&lt;br /&gt;Ver uma música libertária como essa usada em um material fascista é realmente de dar arrepios.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/542463551289534896-653846814893960476?l=nosvermelhos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nosvermelhos.blogspot.com/feeds/653846814893960476/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=542463551289534896&amp;postID=653846814893960476' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/542463551289534896/posts/default/653846814893960476'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/542463551289534896/posts/default/653846814893960476'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nosvermelhos.blogspot.com/2010/08/to-escrevendo-meio-contragosto-meio.html' title='O Brasil não merece uma campanha assim'/><author><name>Alexandre Sacha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08945371655896868128</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-542463551289534896.post-6192854656613521509</id><published>2010-08-28T17:50:00.003-03:00</published><updated>2010-08-28T17:58:14.895-03:00</updated><title type='text'>Assim nasce uma vermelha</title><content type='html'>Foi assim: cheguei à casa da Patrícia, uma amiga, pra inaugurar o ap novo, ap bacana, sem muito luxo, mas muito legal, novíssimo, recém construído. Pequeno mas muito bem localizado, coisa fina, em Santa Teresa. Cheguei e minha filha já tava lá. Cecília, cinco anos. Tinha ido antes, com uma amiga, tava me esperando lá.&lt;br /&gt;Beijei-a (eu queria escrever beijei ela, mas o corretor ortográfico não deixa) muito e me sentei na varanda pra tomar alguma coisa enquanto as crianças brincavam lá dentro.&lt;br /&gt;Aí ela sentou no meu colo e depois da sessão de carinho tradicional me mostrou a vista da varanda e perguntou: “pai, cê tá vendo uma coisa triste?”&lt;br /&gt;Eu, calejado e estupidificado pela vida disse: “não, amor, qual?”&lt;br /&gt;“Lá, pai, o moço dormindo na rua.”&lt;br /&gt;Ele tava quase em primeiro plano. A Pat mora no segundo andar, e o cara tava ali, deitado na calçada, umas 10 da noite, frio pra danar, bem na minha cara.&lt;br /&gt;Desconcertado, respondi: “tô vendo, filha, triste mesmo, né?” – já esperando que o assunto se encerrasse.&lt;br /&gt;“Então, pai, a gente não vai fazer nada?”&lt;br /&gt;“Mas o quê, amor?”&lt;br /&gt;“Uai, pai, chamar ele pra dormir aqui. Tia Pat, ele não pode dormir aqui?”&lt;br /&gt;A Pat, sem graça (ela é vermelha também, só que não sabe): “Mas Ceci, eu nem conheço ele...”&lt;br /&gt;“Uai, tia Pat, a gente vai lá, eu pergunto o nome dele, ele fala, eu apresento ele pra você e aí você conhece ele e ele dorme aqui na sua casa.”&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/542463551289534896-6192854656613521509?l=nosvermelhos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nosvermelhos.blogspot.com/feeds/6192854656613521509/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=542463551289534896&amp;postID=6192854656613521509' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/542463551289534896/posts/default/6192854656613521509'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/542463551289534896/posts/default/6192854656613521509'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nosvermelhos.blogspot.com/2010/08/assim-nasce-uma-vermelha.html' title='Assim nasce uma vermelha'/><author><name>Alexandre Sacha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08945371655896868128</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-542463551289534896.post-7360683286521866241</id><published>2009-03-27T17:34:00.002-03:00</published><updated>2009-03-27T17:38:07.528-03:00</updated><title type='text'>Dez regras da grande imprensa ao abordar movimentos sociais</title><content type='html'>Depois de ficar meses sem postar, por falta de tempo e por outras razões menos nobres, achei este texto no PHA e não resisti. Tentei achar o autor para pedir autorização e não consegui, mas acho que ele nem vai ficar sabendo, sendo um bloguezinho tão restrito, e, se ficar, não deve se incomodar, já que este blog o considerou genial e correspondente àquilo que eu queria ter escrito sobre essa coisa dos movimentos sociais, os sem-terra em especial. Parabéns, Osvaldo!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dez regras da grande imprensa ao abordar movimentos sociais&lt;br /&gt;Convenções básicas (quem não cumprir está sujeito à demissão):&lt;br /&gt;Por Osvaldo da Costa, na Adital&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1ª) Toda ocupação de terra deve ser chamada de invasão&lt;br /&gt;Ao invés de usar o termo adotado pelos movimentos sociais, “ocupação” – manifestação de pressão para o cumprimento da Constituição pelo Estado e denúncia da existência de latifúndios –, é mais eficiente para o objetivo de defesa do princípio da propriedade privada a utilização da palavra “invasão” – tomar para si pela força algo que não lhe pertence.&lt;br /&gt;Dessa maneira, implicitamente, estamos dizendo que discordamos dessa prática e a consideramos ilegal, e conseguimos gerar a sensação de pânico generalizado em todos os donos de propriedade, sejam elas rurais e produtivas, ou até mesmo propriedades urbanas.&lt;br /&gt;Observação: essa regra não é generalizável. Para os casos em que os Estados Unidos invadem países, destroem a infra-estrutura e matam a população, deve-se utilizar o termo “ocupação”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2ª) Regra do efeito dominó: fale só do maior para bater em todos&lt;br /&gt;O acordo da grande imprensa é manter somente o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) na pauta dos noticiários, e evitar sempre que possível falar da existência de outros movimentos sociais. Para isso, quando se tratar de movimentos do campo, basta usar sempre a expressão genérica “movimento dos sem-terra”, ou falar dos “sem-terra”, sem mais detalhes.&lt;br /&gt;Se a pauta exigir o detalhamento do movimento, recomenda-se associá-lo sempre ao alvo principal, com expressões como “movimento dissidente do MST”.&lt;br /&gt;Essa regra ainda colabora para a desunião entre os movimentos, pois os menores se incomodam pela invisibilidade e pelo fato de terem suas ações relacionadas sempre ao MST.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;3ª) Reforma Agrária deve ser tratada como questão de polícia&lt;br /&gt;Movimentos sociais e reforma agrária devem, sempre que possível, ser tratados na página policial, no caso de jornais impressos, e no bloco do crime e dos desastres, no caso dos telejornais.&lt;br /&gt;Caso não seja possível enquadrá-los na seção policial ou em espaço próximo, use títulos para editorias que lembrem o belicismo, como “campo minado”. Não importa o que diga sua matéria, os títulos devem falar por ela, mesmo que não tenham relação com o conteúdo. Use tons sensacionalistas e fatalistas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;4ª) Nunca divulgue os artigos progressistas da Constituição Federal&lt;br /&gt;Os artigos da Constituição Federal que tratam da função social da terra, que integram o código agrário – 184 a 191 – nunca devem ser mencionados em reportagens sobre os movimentos sociais, para evitar a compreensão de que a ação de invasão de terras pode ter algum respaldo legal.&lt;br /&gt;É sempre recomendável lembrar da lei de Segurança Nacional e da necessidade de uma legislação contra o terrorismo no Brasil. O termo “Estado de Direito” é ideal para isso. Considere qualquer manifestação uma afronta ao Estado de Direito, mesmo que ele seja apenas o Direito do Estado.&lt;br /&gt;Se falar do Estado de Direito e suprimir os artigos progressistas da Constituição não for suficiente, convém colocar as reportagens próximas à cobertura de ações terroristas ou, levantar a suspeita de que há relação do movimento social com uma organização terrorista ou guerrilheira estrangeira.&lt;br /&gt;Conjunto de regras para serem selecionadas e aplicadas conforme a conjuntura exigir:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;5ª) Levante a bola para o oportunista de plantão&lt;br /&gt;Não é verdade que o papel da imprensa é apurar a verdade dos fatos. Todo aspirante deve saber que a imprensa tem poder para gerar os fatos.&lt;br /&gt;Além disso, apurar fatos implica em sair da sua cadeira e nem todos eles podem ser apurados por telefone. Basta fazer uma reportagem suspeitando de algo, e procurar um oportunista que queira protagonizar a indignação pública para a suspeita ganhar dimensão de notícia.&lt;br /&gt;Sempre há alguém à disposição esperando para se deslumbrar com as luzes dos holofotes. O exemplo bem sucedido mais recente foi o caso da requentada pauta da suspeita da legalidade do financiamento público para cooperativas da reforma agrária, em que o presidente do Superior Tribunal Federal (STF) desempenhou o papel de porta-voz da bancada ruralista, dando respaldo para a suspeita, e de quebra, aproveitando para atacar o governo federal.&lt;br /&gt;Se não houver ninguém do Judiciário ou algum deputado, não importa, qualquer um, sem nunca ter ido a um assentamento ou acampamento pode ser transformado em “especialista” em questão agrária: sociólogos, filósofos e até jornalistas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;6ª) Nem sempre devemos apurar os dois lados da notícia&lt;br /&gt;Quando já conseguimos incutir um pré-julgamento na opinião pública sobre o caráter marginal das ações dos movimentos sociais, podemos reforçar essa opinião entrevistando somente o lado agredido pelas ações, as vítimas dos movimentos. Fica implícita a informação de que, como os integrantes dos movimentos são foras da lei, quem deve escutá-los é a polícia e o poder judiciário. Se ainda assim tiver que ouvi-los, seja breve e descontextualize a frase.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;7º) Não deve existir noção de historicidade, nem de causa e conseqüência em nossas reportagens&lt;br /&gt;Não abordar as razões da ação dos movimentos sociais, evitar a divulgação da nota à imprensa. Não importa há quanto tempo às famílias estejam acampadas, quais promessas foram feitas pelo governo, se a terra é do banqueiro que saqueou os cofres públicos ou do coronel que vive do trabalho escravo. Se detenha nas conseqüências da ação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;8°) Dramatização da repercussão das ações dos movimentos sociais&lt;br /&gt;Retire o foco das motivações estruturais e causas históricas e centre a abordagem nas conseqüências para os indivíduos donos ou empregados das propriedades invadidas ou atacadas.&lt;br /&gt;– fale do prejuízo econômico para o proprietário, e se possível faça uma entrevista com o mesmo ou com um familiar próximo para mostrar a comoção da família diante do ataque bárbaro. É importante mostrar o estado de choque emocional, e o ideal é que a pessoa esteja chorando.&lt;br /&gt;– surte grande efeito a entrevista com trabalhadores da fazenda ou da empresa. O maior exemplo é o caso da ação no horto da multinacional Aracruz no Rio Grande do Sul, em que uma técnica de laboratório se fez passar por pesquisadora e, em prantos (!), afirmou que a destruição das mudas de eucalipto acabou com mais de vinte anos pesquisa.&lt;br /&gt;Nesse caso, as reportagens conseguiram colocar os movimentos sociais como contrários à ciência e ao desenvolvimento tecnológico, evitando a pauta concreta da ação, que se centrava na expansão ilegal das terras da empresa e na depredação da natureza com o monocultivo de eucalipto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;9ª) Campanha de desmoralização permanente dos movimentos sociais&lt;br /&gt;É sempre bom manter semanalmente pautas de desgaste aos movimentos sociais, mesmo que não haja uma ação que renda manchete. Nesses casos, a regra é trabalhar com associação, encaixando uma reportagem que fale sobre um movimento após ou entre matérias que falem, por exemplo, de casos de corrupção no Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), venda de terra e desmatamento em assentamentos da Amazônia Legal, etc.&lt;br /&gt;Bata nas mesmas teclas, insista nas mesmas teses permanentemente, mesmo que elas já tenham sido usadas antes. Insista, por exemplo, que o MST irá romper com o Governo Lula desta vez, mesmo que o movimento afirme e demonstre desde o primeiro dia de governo que nunca esteve atrelado.&lt;br /&gt;E quando não for possível tomar como alvo os movimentos sociais, vale mirar nas bandeiras de luta deles, alegando estarem ultrapassadas, deslegitimando-as como parte da solução atual para os problemas do país. Nesse caso, pode-se até reconhecer o valor histórico que bandeiras como reforma agrária cumpriram no Brasil e em outros países, mas deve-se usar essa manobra apenas para recusar essas propostas no presente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;10ª) É fundamental saber manipular a dimensão subjetiva do telespectador ou do leitor&lt;br /&gt;Não é apenas com a manipulação dos fatos e com a edição das entrevistas que podemos influenciar na interpretação que os nossos consumidores farão. Na TV, a expressão facial e o tom de voz dos repórteres, dos comentaristas e, sobretudo, dos âncoras, é determinante. A adoção do semblante sério e do tom de voz grave deve indicar a importância do tema.&lt;br /&gt;Além da performance dos jornalistas como atores, é recomendável que o pano de fundo do cenário também traga imagens que gerem medo e desconfiança. O exemplo do Jornal Nacional é o mais ilustrativo: para falar da reforma agrária e dos movimentos que lutam por ela: aparece uma cerca rompida e três vultos disformes – “afinal não são pessoas, são sombras” –, empunhando ferramentas de trabalho como se fossem armas, numa ação de invasão da propriedade (e da casa do espectador).&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/542463551289534896-7360683286521866241?l=nosvermelhos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nosvermelhos.blogspot.com/feeds/7360683286521866241/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=542463551289534896&amp;postID=7360683286521866241' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/542463551289534896/posts/default/7360683286521866241'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/542463551289534896/posts/default/7360683286521866241'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nosvermelhos.blogspot.com/2009/03/dez-regras-da-grande-imprensa-ao.html' title='Dez regras da grande imprensa ao abordar movimentos sociais'/><author><name>Alexandre Sacha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08945371655896868128</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-542463551289534896.post-8873921844598748238</id><published>2008-11-26T17:40:00.000-02:00</published><updated>2008-11-26T17:48:45.310-02:00</updated><title type='text'>Sobre eufemismos e cara de pau</title><content type='html'>Nem todo eufemismo é escroto. O eufemismo ruim é aquele hipócrita, o que esconde más intenções, ou nem esconde, só alivia a consciência do abusador.&lt;br /&gt;Na primeira categoria – a dos toleráveis – estão aqueles eufemismos dados a evitar um dano maior. Exemplo: tá vendo aquela moça cheinha no fim da fila? Ou: sabe o João? um meio calvo.&lt;br /&gt;A moça no fim da fila tá cansada de saber que é gorda e o João sabe que tá completamente careca, mas aumentar o sofrimento deles só pra ser franco não é necessário.  &lt;br /&gt;Esses são eufemismos que, se não são benéficos, pelo menos não trazem prejuízos ou preconceitos.&lt;br /&gt;Mas o batalhão de mentiras tremendamente caras de pau que foram inventadas nos últimos anos como conseqüência (ou parte) da lógica neoliberal-mercadocentrista-corporativa é revoltante.&lt;br /&gt;Refiro-me a todas aquelas baboseiras que o José Simão, um dos únicos colunistas da Folha que vale a pena ler, chama de tucanês. Não por acaso, claro. Os tucanos foram os responsáveis mais incisivos pela introdução dessa lógica ridícula mencionada ali em cima.   &lt;br /&gt;Os caras fazem treinamentos nos quais chamam os empregados das empresas de colaboradores. Como se empregado fosse pejorativo. Como se estivessem com a consciência doendo por explorar trabalho alheio. Como se pudessem eliminar a dicotomia capital-trabalho. Afinal de contas eles colaboram, não são explorados.&lt;br /&gt;Chamam os custos de um serviço ou os preços de produtos de investimento. Quanto custa esta impressora? O investimento é de 900 reais. Ah, para com isso! Impressora é investimento pra dono de copiadora. E até investimento tem preço. Eles fingem que acham que qualquer gasto de dinheiro seu é um investimento.&lt;br /&gt;As recepcionistas viraram agentes de atendimento. Eu acho que a palavra agente serve para melhorar o status da função, mas pergunta se alguém quer melhorar o status delas pagando melhor. Nem pensar.&lt;br /&gt;Há também o eufemismo que revela, embora o tonto que o usa ache que está disfarçando, o preconceito racial: aquele moreninho ali. O cara é negro, é preto. Deve estar orgulhoso disso, não é uma condição que o incomode, portanto é assim mesmo que tem que ser chamado. &lt;br /&gt;Ar condicionado, por exemplo, virou climatização do ambiente. Os estabelecimentos comerciais dizem que você está sendo filmado para sua segurança, que seu cheque será rigorosamente consultado também para sua segurança. E o banco então! Aquela porta giratória infernal e setenta senhas alfanuméricas são fundamentais para sua proteção. Planos de capitalização vendidos aos milhões pelo “banco do planeta”, mas, obviamente, a capitalização não é do cliente nem do planeta, é só do banco.&lt;br /&gt;Mas a minha idéia não era dar exemplos de eufemismos idiotas, e como os há. Era discutir o quanto eles são cretinos. &lt;br /&gt;A razão da existência deles é que incomoda.&lt;br /&gt;Eles existem pelo fato de que é preciso dourar a pílula o tempo todo. E se é preciso tentar amenizar com palavrório a situação do trabalhador, do consumidor, do povo de forma geral, é porque o nível de exploração e de abuso está extrapolando todos os limites.&lt;br /&gt;Eu não me sentiria incomodado se eu lesse no supermercado: para resguardar a saúde financeira da nossa empresa todos os cheques serão consultados.&lt;br /&gt;Mas quando dizem que fazem isso pensando na minha segurança... aí eu fico cabreiro.&lt;br /&gt;Ninguém que recebe um salário decente e tem condições de trabalho igualmente decentes, considerando o sistema vigente, ficará ofendido sendo chamado de empregado ou funcionário.&lt;br /&gt;Mas pagar uma miséria, eliminar direitos trabalhistas, piorar as condições laborais e depois adular promovendo o sujeito a colaborador, isso sim é ofensivo.&lt;br /&gt;Daqui a pouco os governos entram nessa também e vai ser criada uma nova categoria – os colaboradores públicos.&lt;br /&gt;E tem também a cara de pau do mundo corporativo que nem precisa de eufemismos, é só cara de pau mesmo.&lt;br /&gt;Fui procurado recentemente por um cara, dono de uma rede de escolas de idiomas, que queria minha ajuda para seu projeto de desbancar o sindicato patronal (?) das escolas de línguas de MG com a justificativa de que a direção da tal instituição vinha sendo muito leniente com o sindicato dos professores. &lt;br /&gt;Algo como se os professores de idiomas do estado de Minas ganhassem verdadeiras fortunas e andassem todos em carrões importados como o que ele parou na minha garagem. O cara me mostrou convenções coletivas de outros estados, onde, segundo ele, os salários dos professores estavam mais condizentes com a realidade do mercado (mercado, sempre Ele) e nos quais os sindicatos patronais eram mais durões.&lt;br /&gt;Havia em alguns exemplos remunerações inferiores a dois reais a hora-aula. &lt;br /&gt;Pensa bem. Se ganhasse cinco reais por hora aula o coitado do professor teria que dar oito horas por dia de aula e trabalhar feito um maluco durante toda a semana para ganhar menos de oitocentas pratas. Já é o cúmulo do absurdo, mas sonhar em pagar menos ainda é canalhice.&lt;br /&gt;Aí você pensa: tudo bem, e daí? O cara tá no papel de filho da p... dele, mas o que isso tem a ver com nosso tema?&lt;br /&gt;É que quando eu estava prestes a conseguir me livrar do cara ele me entregou seu cartão. Tinha o nome dele e o cargo (presidente, dono, sei lá) em inglês e debaixo disso tava escrito:&lt;br /&gt;WE BELIEVE IN TEAMWORK.     &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;span style="font-size:85%;"&gt;(?) - é porque patronal devia ser associação ou união ou clube ou federação ou confederação ou seja lá o que for, mas sindicato é de trabalhador.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/542463551289534896-8873921844598748238?l=nosvermelhos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nosvermelhos.blogspot.com/feeds/8873921844598748238/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=542463551289534896&amp;postID=8873921844598748238' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/542463551289534896/posts/default/8873921844598748238'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/542463551289534896/posts/default/8873921844598748238'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nosvermelhos.blogspot.com/2008/11/sobre-eufemismos-e-cara-de-pau.html' title='Sobre eufemismos e cara de pau'/><author><name>Alexandre Sacha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08945371655896868128</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-542463551289534896.post-3044274771479404269</id><published>2008-10-29T23:20:00.000-02:00</published><updated>2008-10-30T17:49:33.730-02:00</updated><title type='text'>E o dinheiro?</title><content type='html'>Quem não gosta de dinheiro? Pois é. Vermelho não gosta.&lt;br /&gt;Você vai dizer: “Ah, mas que absurdo! Claro que gosta! Que demagogia.”&lt;br /&gt;Só que desse nosso jeito de não gostar não é demagogia não.&lt;br /&gt;Tá certo que a gente trabalha pra ganhar dinheiro, a gente sua, rala, corre, até explora a mais valia. Depois a gente vive as mordomias que o dinheiro que por ventura ganhamos traz. Ficamos até felizes de ter ganhado um dinheirinho e poder ter uma vidinha melhor.&lt;br /&gt;Aí você diz: “Não falei? Gosta sim.”&lt;br /&gt;Mas você se engana. Porque o que a gente não gosta é dele (o dinheiro) existir.&lt;br /&gt;Que o dinheiro é o maior responsável pelas mazelas do mundo todos sabem. Só houve riqueza, da forma como a conhecemos, porque houve dinheiro. E só há pobreza, de qualquer forma, que conheçamos ou não, se houver riqueza.&lt;br /&gt;Mas o pior é que a riqueza e a pobreza, desde que se fizeram balizar pelo dinheiro, sempre mantiveram uma desproporção absurda. Todo acúmulo é responsável direto pela disseminação radical da escassez.&lt;br /&gt;É por isso que por mais que o mundo se desenvolva, se reinvente, faça revoluções (?) tecnológicas e financeiras, há cada vez mais miseráveis. Todos os avanços havidos e por haver são insuficientes para que se dê uma distribuição minimamente justa do tal do dinheiro. E é pra ser assim mesmo. No sistema que o dinheiro representa não cabe tal justiça.&lt;br /&gt;Mas, por quê?&lt;br /&gt;No meu humilde ponto de vista é porque a simples existência de algo que substitua os bens materiais já nasce com a principal função da acumulação.&lt;br /&gt;Ou seja, lá no nascedouro dos sistemas de exploração, foi ficando impossível que um indivíduo se sobrepusesse a outros pela imposição pura e simples da propriedade. Por mais que ele tivesse força, os explorados, em maior quantidade, lhe negariam a propriedade. Tomá-la-iam para si ou a invadiriam. A acumulação ia se tornando difícil e trabalhosa. O dispêndio com a manutenção da propriedade pela força ficava maior. Como pagar os homens cujo trabalho era manter seguras, livres de usurpação, as propriedades daquele primeiro indivíduo a que nos referimos? Dando-lhes parte de suas propriedades, naturalmente. À medida que a população aumentava, também aumentavam os custos para manter a propriedade privada e fazia falta, então, aumentá-la também.&lt;br /&gt;Mas o que fazia mesmo falta era acumular algo que representasse o bem material sem sê-lo de fato. Sal, ouro ou papel, não importa. É isso que o dinheiro é: facilitador de acúmulo.&lt;br /&gt;Só que no começo o dinheiro tinha que ter lastro. Tinha de fato que representar o capital, a propriedade, os bens. Ter aquele significava possuir estes.&lt;br /&gt;Hoje é bem diferente. O dinheiro, no capitalismo de mercado, é absurdamente artificial. Tê-lo é, simplesmente, ter dinheiro. E o valor dele é variável de acordo com cem mil circunstâncias que nós, pessoas comuns, não conseguimos entender.&lt;br /&gt;A bolha das hipotecas das casas dos caras na Carolina do Norte explodiu e agora as pessoas vão passar dificuldades em Jaraguá do Sul, ganhando o mesmo salário que ganhavam antes.&lt;br /&gt;Pra mim é muito difícil entender, mas o que eu sei é que a artificialidade do capital, que já é uma deformação do próprio capitalismo, é a responsável.&lt;br /&gt;Meu Deus do céu! Uma casa era pra ser uma casa e pronto. Um lugar com sala, cozinha, quarto, banheiro, teto pra as pessoas morarem e ponto final. Um saco de 5 Kg de arroz era pra ser comida pra X pessoas durante X dias e só. Mas não, é comoditie. E depende de como anda a bolsa de Hong Kong pra saber se amanhã vai dar pra comer arroz.&lt;br /&gt;Com isso o povo, a base da pirâmide social, já não consegue nem entender quanto valem, em dinheiro, as coisas. Muita gente nem precisa mais ver o dinheiro. Ele é completamente controlado pelo sistema financeiro.&lt;br /&gt;Você recebe seu salário depositado no banco Y. Metade dele já está comprometida com cheque especial e pagamentos no próprio banco. Aí você sai pra comprar aquela comoditie e outras comoditizinhas, passa no posto pra pôr umas comodities no tanque e paga com o cartão de crédito que tem o simbolozinho daquele mesmo banco; suas despesas mensais estão no tal débito automático e, de repente, lá pelo dia 20, você percebe que não viu o dinheiro vivo relativo ao seu salário (que já acabou).&lt;br /&gt;Seu salário circulou e você nem viu. Uma entidade, que você também não vê, decide o que dá pra você comprar com ele e é assim. Mês que vem começa tudo de novo.&lt;br /&gt;Só que alguns concentram mais, circulam mais, compram mais. Poucos concentram muito mais, circulam muito mais, compram muito mais. Pouquíssimos concentram infinitamente mais, circulam infinitamente mais, compram infinitamente mais.&lt;br /&gt;A mais triste conclusão é que nós queríamos acabar com o dinheiro pra acabar com as injustiças que ele trouxe. Pois bem, o próprio capital se reinventou, mudou de nome, agora se chama mercado, acabou ele com o dinheiro e exacerbou as injustiças.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/542463551289534896-3044274771479404269?l=nosvermelhos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nosvermelhos.blogspot.com/feeds/3044274771479404269/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=542463551289534896&amp;postID=3044274771479404269' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/542463551289534896/posts/default/3044274771479404269'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/542463551289534896/posts/default/3044274771479404269'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nosvermelhos.blogspot.com/2008/10/e-o-dinheiro.html' title='E o dinheiro?'/><author><name>Alexandre Sacha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08945371655896868128</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-542463551289534896.post-163658555424969225</id><published>2008-10-15T12:20:00.000-03:00</published><updated>2010-02-03T17:53:25.134-02:00</updated><title type='text'>Internacionalistas</title><content type='html'>O que é isso? Internacionalista.&lt;br /&gt;Há algum tempo forjaram o termo humanismo. É algo como defender o ser humano. Portanto, defender a vida humana. Deve ser, inclusive, defender a vida de forma geral.&lt;br /&gt;Parece bonito, todo mundo acha bacana. Pelo menos todo mundo finge que acha. Porque na hora de votar, bom, aí é diferente, aí o pessoal vota contra o desarmamento.&lt;br /&gt;Mas voltando ao humanismo, ser humanista é gostar do homem (e da mulher, claro), é protegê-lo, é defender seus interesses no que tange à vida, etc.&lt;br /&gt;Pois bem, há muita gente que se diz, ou se acha, humanista, mas na verdade defende interesses mais próximos, mais tangíveis, mais visíveis até. “Eu me preocupo com as pessoas aqui da empresa” ou “tem que melhorar as coisas aqui no bairro” ou ainda “vamos preservar nossa cidade”.&lt;br /&gt;E o outro bairro? E a outra cidade? E os outros mesmo? Os outros que estão longe. Os que eu não conheço, nunca vi, nem vou ver. Os seres humanos que moram em países que eu nem sei o nome. Esses não cabem no meu humanismo? Pois é, eles têm que caber.&lt;br /&gt;Ser internacionalista é achar que são iguais aqueles (lá no Turcomenistão) e estes (aqui do condomínio). Pelo menos que recebam minha solidariedade de forma equânime. Que a minha indignação diante das injustiças sofridas por todos seja igual. Que eu me sensibilize com o sofrimento de uns e de outros da mesma maneira. Que eu deseje mudar a realidade de todos aqueles cuja sorte foi afetada pela internacionalização das injustiças.&lt;br /&gt;Sim, porque o sistema vigente é absolutamente internacionalizado na hora de espalhar a desgraça e só fica fechado em si mesmo na hora de dividir a bonança. Quem nunca ganhou um tostão com as altas das bolsas no mundo inteiro pode perder o emprego por causa da quebra delas.&lt;br /&gt;Ser internacionalista é inverter essa lógica perversa. É tentar minimizar os efeitos dos infortúnios e disseminar os resultados da prosperidade.&lt;br /&gt;Sentimentos assim são os que, no caso extremo, movem um internacionalista e o fazem sair da Argentina, participar de uma revolução em Cuba, combater no Congo e ser morto na Bolívia. É achar que seus ideais merecem ser vividos por todos.                      &lt;br /&gt;Ser internacionalista é lutar contra preconceitos, é não aceitar aquele papo de que todo paulista é isso, todo carioca é aquilo e todo argentino é um milhão de coisas. Combater essa ignorância chamada bairrismo.&lt;br /&gt;É achar ridículo o discurso de ambos postulantes à Casa Branca, aquilo do eu faço, eu arrebento todo mundo, e que culmina com um cartaz comum na campanha do McCain - “Country First”.&lt;br /&gt;É Saber que o sangue do ferido que aparece na televisão (e gera compaixão) e o dos garotinhos africanos, que são tantos que nem aparecem na TV mais, tem a mesma cor.&lt;br /&gt;Ser vermelho é ser internacionalista.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/542463551289534896-163658555424969225?l=nosvermelhos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nosvermelhos.blogspot.com/feeds/163658555424969225/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=542463551289534896&amp;postID=163658555424969225' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/542463551289534896/posts/default/163658555424969225'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/542463551289534896/posts/default/163658555424969225'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nosvermelhos.blogspot.com/2008/10/internacionalistas.html' title='Internacionalistas'/><author><name>Alexandre Sacha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08945371655896868128</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-542463551289534896.post-1060137057387236586</id><published>2008-10-14T03:11:00.001-03:00</published><updated>2008-10-14T03:11:51.652-03:00</updated><title type='text'>TV a cabo pra quê?</title><content type='html'>Acabei de ver o “jornal das 10”, o programa humorístico diário da Globo News. É como se a Rede Globo tivesse um Casseta e Planeta todos os dias. Não, é pior. É como se houvesse uma Zorra Total diariamente. Você deve estar pensando aí – Deus me livre! Mas é isso mesmo. Se a gente for ver com um olhar minimamente crítico é um Deus me livre mesmo.&lt;br /&gt;Nesta edição, que resolvi resignadamente ver para obter mais informações sobre a votação no senado da metrópole, me chamou a atenção, de cara, o fato de que repetiram a pesquisa, noticiada ontem, e que dizia que a Marta perderia para o Kassab no segundo turno da eleição em São Paulo. Coincidentemente descobri que era uma edição especial com duração maior.&lt;br /&gt;Achei engraçado (mas não consegui rir) porque nunca tinha visto um noticiário de uma TV repetir dois dias seguidos o resultado da mesma pesquisa. Alguém aí viu a Globo noticiar em 2006 em dois dias seguidos, no mesmo programa, a mesma pesquisa: Vox Populi, 20 de Outubro, Lula 66% - Alkmin 33%!?  &lt;br /&gt;Pois é, descobri que no Jornal das 10 isso acontece. Não sei se tem a ver com a vontade dessa imprensa cômica nossa de diminuir a tragédia eleitoral para a direita ultrista*...&lt;br /&gt;Tragédia sim, porque aconteça o que acontecer o PFL (se for chamar de outra coisa é ARENA) e o PSDB jamais tiveram tão poucas cidades importantes a seu dispor. Justo no momento em que sua (deles) mídia trabalhou tanto para que pudessem esboçar uma reação com vistas a 2010.&lt;br /&gt;Voltando ao programa cômico, um dos quadros mais risíveis é a análise das pesquisas eleitorais, conduzida pela Cristiana Lobo e com participação do Monforte.&lt;br /&gt;Eu fico brincando de imaginar o que pode estar acontecendo em outras capitais do Brasil considerando as possibilidades contrárias ao que eles dizem.&lt;br /&gt;Vou explicar melhor: eles falam tanta besteira sobre aquilo que sei que ocorre aqui em BH que eu penso que lá em Porto Alegre tudo deve estar se desenrolando de forma inversa à análise que eles fazem.  &lt;br /&gt;Outra piada: sabe quem é o especialista que comentou nessa edição economia, carga tributária (durante os 20 anos de existência da constituição) e outras coisas? Maílson da Nóbrega!&lt;br /&gt;Juro, não tô brincando, Maílson da Nóbrega. Não, não, não existem dois Maílsons das Nóbregas. É aquele mesmo. O ex-ministro da fazenda, autor do Plano Verão, um dos elaboradores do Plano Bresser. É! Esse mesmo! Aquele que demonstrou sua capacidade criando a superinflação! Pois é... pasmem, o cara é rico e sócio de uma dessas consultoras do tipo que agora tão quebrando lá na metrópole. E nas horas vagas é especialista em economia da Globo, já foi da Folha e ainda é do Estadão. O cara que levou o país à beira da bancarrota ensinando o que fazer pra não ir à bancarrota.&lt;br /&gt;É como se você estivesse em dificuldades numa prova da escola e resolvesse colar do aluno que tirou zero nos semestres anteriores. Qualquer chute é melhor que isso. Eu quase não vejo TV. A aberta, então, menos ainda. Sei o lixo que é. Mas TV paga, além do futebol, é total perda de tempo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/542463551289534896-1060137057387236586?l=nosvermelhos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nosvermelhos.blogspot.com/feeds/1060137057387236586/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=542463551289534896&amp;postID=1060137057387236586' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/542463551289534896/posts/default/1060137057387236586'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/542463551289534896/posts/default/1060137057387236586'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nosvermelhos.blogspot.com/2008/10/tv-cabo-pra-qu.html' title='TV a cabo pra quê?'/><author><name>Alexandre Sacha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08945371655896868128</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-542463551289534896.post-1374740551357675974</id><published>2008-09-28T12:29:00.000-03:00</published><updated>2008-09-28T12:33:30.029-03:00</updated><title type='text'>Eu acho muito engraçado</title><content type='html'>&lt;p&gt;Acho engraçado a imprensa quase toda dar importância pra a tal CPI dos grampos. Uma CPI inventada pra dizer que a polícia que prendeu o ladrão é que deve à sociedade.&lt;br /&gt;O ladrão, que a justiça soltou, roubou, mas não pode ser preso só por isso. Se a polícia usou escutas telefônicas para provar o roubo, ah, aí o roubo não valeu.&lt;br /&gt;Acho muito engraçado.&lt;br /&gt;Acho engraçado também a revista Veja fazer até matéria de capa pra falar de educação e o resto da imprensa achar que tá tudo bem. Gente, a Editora Abril tá lançando uma linha de livros, apostilas, manuais, sei lá como é que aquilo chama, didáticos. Há algum tempo já vem batendo nas futuras concorrentes, editoras e esses sistemas de ensino que vendem como franquias seu material, tipo COC, Pitágoras, Objetivo, etc. Tudo bem que nossa educação é uma porcaria e que esses materiais em geral também, mas a Veja, meu Deus, a Veja dar palpite sobre o excesso de ideologia nas salas de aula, é demais! Um conglomerado jornalístico que há quase 30 anos só pratica ideologia, jornalismo zero. E quase ninguém fala nada.&lt;br /&gt;Acho muito engraçado.  &lt;br /&gt;Também acho engraçado o acesso de patriotismo repentino que a topada que o governo equatoriano deu na Odebrecht gerou. A megaconstrutora, que aqui no Brasil tá envolvida em todos os casos de corrupção ativa e passiva, superfaturamento, lobismo, tráfico de influência e obras que caem, sem nunca ser perturbada, foi fazer o mesmo no Equador. Nós aqui no Brasil, ao invés de ficarmos envergonhados por exportar a sujeira brasileira, ficamos indignados como se fôssemos todos acionistas da corrupção: Como é que aqueles índios de mer fazem isso! Quem eles pensam que são? Estão desrespeitando nosso país (a Odebrecht?).&lt;br /&gt;Acho muito engraçado.&lt;br /&gt;E acho mais engraçado ainda a reação da imprensa nacional diante da questão econômica internacional ou, mais especificamente, norteamericana. Não entendo nada de economia, mas sei que o liberalismo absoluto levado a cabo lá, principalmente pelos governos republicanos, e aqui, principalmente pelo governo FHC, quebrou. Aqui já tinha quebrado três vezes durante aquele triste período e quebrou também no México e na Argentina. Pois é, agora quebrou na metrópole. O estado teve que salvar, e vai ter que continuar salvando. Pensa que os caras aqui fizeram mea culpa e se arrependeram de ter defendido o mesmo, pediram desculpas, mudaram? Que nada. Ficam esperando a hora da coisa se espalhar. Ficam dizendo que o Brasil não está protegido. Que é vulnerável também, etc. Pode até ser. Mas, peraí, e se nós não tivéssemos votado por uma tendência um pouco diferente? E se continuássemos no mesmo sentido e seguindo os passos do neo-liberalismo de lá?&lt;br /&gt;Não é muita cara de pau?&lt;br /&gt;Eu acho muito engraçado.                                                                                                                             Mas não consigo rir.  &lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/542463551289534896-1374740551357675974?l=nosvermelhos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nosvermelhos.blogspot.com/feeds/1374740551357675974/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=542463551289534896&amp;postID=1374740551357675974' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/542463551289534896/posts/default/1374740551357675974'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/542463551289534896/posts/default/1374740551357675974'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nosvermelhos.blogspot.com/2008/09/eu-acho-muito-engraado.html' title='Eu acho muito engraçado'/><author><name>Alexandre Sacha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08945371655896868128</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-542463551289534896.post-4891951162472061975</id><published>2008-09-25T01:28:00.001-03:00</published><updated>2008-09-25T12:01:22.954-03:00</updated><title type='text'>Sobre o que chamam de paternalismo</title><content type='html'>O ministro Patrus Ananias cunhou a melhor frase sobre o assunto que eu já ouvi:&lt;br /&gt;Esses mitos se devem a setores cada vez mais minoritários, encastelados em instituições de poder, que mantém uma ideologia decorrente da escravidão, do coronelismo, das capitanias hereditárias e do mandonismo, ainda que revestidas de uma falsa modernidade.&lt;br /&gt;O Patrus tava falando daquelas pessoas que vivem repetindo por aí que bolsa-família é paternalismo, que não faz bem ao povo (como se estivessem preocupados com o povo), que a contemporaneidade reside em deixar o mercado, portanto o capital, resolver tudo, etc.&lt;br /&gt;O que eu acho é que essa posição é cruel e egoísta.&lt;br /&gt;Ou alguém aí em sã consciência consegue achar que uma pessoa pode ou deve sofrer por necessidades fisiológicas (fome, frio, doença, etc.) não atendidas simplesmente porque não coube nos planos da sociedade para si mesma?&lt;br /&gt;Alguém acha mesmo que se não houve forma de que essa pessoa (criança, adulto ou velho) fosse – ou tivesse – seu próprio provedor, seja por qualquer razão, ela deve ser condenada e executada?&lt;br /&gt;Não é isso que a sociedade faz quando não é “paternalista”?!&lt;br /&gt;Não é isso o que defende, embora de forma pouco explícita, quem diz que programas sociais patrocinados pelo governo são esmola. Aquela conversa de dar o peixe ou ensinar a pescar...&lt;br /&gt;Curiosamente essas mesmas pessoas costumam bater no peito e gritar que participam de ações de filantropia, caridade ou sei lá como é que chama hoje esse marketing travestido de preocupação social. Aí não é esmola. É o quê?&lt;br /&gt;Toda forma de governo, seja ele representante de qualquer ideologia, tem que eleger, constantemente, prioridades para agir. Tá bom, isso é óbvio. Construir uma escola e garantir educação para as crianças ou uma fábrica e garantir emprego para os pais? Apoiar o setor exportador e trazer divisas de fora ou segurar a produção no mercado interno e garantir seu abastecimento a preços menores?&lt;br /&gt;Beleza, tem cem milhões de coisas para ficar decidindo entre duas ou sei lá quantas possibilidades.&lt;br /&gt;Mas há uma opção que já passou da hora de parar de fazer: fingir que estamos investindo na subsistência futura de gente que precisa subsistir hoje. Sinceramente, meus amigos, não dá pra a gente ficar brincando de Deus Jardineiro e dizer: deixa esse povinho que nasceu com defeito morrer pra ver se nasce outro melhor no lugar...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/542463551289534896-4891951162472061975?l=nosvermelhos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nosvermelhos.blogspot.com/feeds/4891951162472061975/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=542463551289534896&amp;postID=4891951162472061975' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/542463551289534896/posts/default/4891951162472061975'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/542463551289534896/posts/default/4891951162472061975'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nosvermelhos.blogspot.com/2008/09/sobre-o-que-chamam-de-paternalismo_24.html' title='Sobre o que chamam de paternalismo'/><author><name>Alexandre Sacha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08945371655896868128</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-542463551289534896.post-5691474473555545576</id><published>2008-09-25T01:27:00.000-03:00</published><updated>2008-09-25T01:28:08.064-03:00</updated><title type='text'>Lei seca eu???</title><content type='html'>O grande exercício do momento é perguntar-se, pensar e responder sinceramente, pensando também, em voz baixa, só pra você, sem ninguém saber sua resposta:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sou capaz de abrir mão de alguma coisa muito importante para mim, só para mim, em benefício de outras pessoas? Outras pessoas... um grupo determinado (ou não) de pessoas. Gente que eu não conheço, não gosto, nunca vi. Anônimos pra mim. Alguns desses...&lt;br /&gt;Qual seria o benefício para essas pessoas? Sei lá... alguma coisa boa, um pouco mais de qualquer coisinha boa não muito importante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Qual a sua resposta?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vamos mudar a pergunta:&lt;br /&gt;Sou capaz de abrir mão de alguma coisa relativamente importante para mim, só para mim, em benefício de muitas pessoas? Outras pessoas... um grupo grande, determinado (ou não) de pessoas. Gente que eu não conheço, não gosto, nunca vi. Anônimos pra mim. Vários desses... &lt;br /&gt;Qual seria o benefício para essas pessoas? Sei lá... alguma coisa muito boa, um pouco mais de alguma coisa boa e importante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Resposta?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mudando outra vez:&lt;br /&gt;Sou capaz de abrir mão de alguma coisa não muito importante para mim, só para mim, em benefício de uma multidão de pessoas? Outras pessoas... um grupo enorme determinado (ou não) de pessoas. Gente que eu não conheço, não gosto, nunca vi. Anônimos pra mim. Centenas desses...&lt;br /&gt;Qual seria o benefício para essas pessoas? Sei lá... alguma coisa essencial, um pouco mais de dignidade, por exemplo, uma existência melhor para todas elas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Resposta:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De novo:&lt;br /&gt;Sou capaz de abrir mão de alguma coisa pouco importante para mim, só para mim, em benefício de todas as outras pessoas? As outras pessoas... um grupo gigante determinado (todas as pessoas ao meu redor onde eu estiver). Gente que eu conheço ou não, gosto ou não, a maioria nunca vi, mas existe. Anônimos pra mim, a maioria. Milhares desses...&lt;br /&gt;Qual seria o benefício para essas pessoas? Sei lá... alguma coisa fundamental pra todo mundo: a vida, por exemplo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então...&lt;br /&gt;Até onde você é capaz de ir para manter seu direito de tomar uma cervejinha e ir embora pra casa dirigindo seu carro?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/542463551289534896-5691474473555545576?l=nosvermelhos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nosvermelhos.blogspot.com/feeds/5691474473555545576/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=542463551289534896&amp;postID=5691474473555545576' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/542463551289534896/posts/default/5691474473555545576'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/542463551289534896/posts/default/5691474473555545576'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nosvermelhos.blogspot.com/2008/09/lei-seca-eu.html' title='Lei seca eu???'/><author><name>Alexandre Sacha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08945371655896868128</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry></feed>
